Murray Schafer, compositor e educador canadense, cunhou termos como esquizofhonia e paisagem sonora (soundscape, em analogia à landscape – paisagem) para conceituar a ruptura dos sons com seus criadores e lugares e estabelecer uma proposta de fazer com que ouçamos os sons pelo próprio som. Propôs o desenvolvimento musical por meio da escuta e conscientização técnica dos sons do ambiente, podendo até recriarmos os sons que existiriam numa paisagem de outro lugar ou tempo. Esta nova maneira de escutar os sons favorece romper o vínculo com a música do gosto pessoal, da música culturalmente aceita por uma imposição tácita, sem acordo com o ouvinte nas esferas subliminares do indivíduo. Enfim, favorece não cultuar somente a música local (etnocentrismo) e tornar o ouvinte mais universal.

Para tal é preciso aprofunda-se nos exercícios propostos pelo compositor, tornando-nos improvisadores, compositores e ouvintes ativos. “Ouvido Pensante” é o livro do autor editado no Brasil. Shafer foi um dos principais responsáveis pela mudança da lei a respeito da poluição sonora nas grandes cidades do Canadá devido aos ruídos intensos dos aviões que provocam distúrbios irreversíveis nas pessoas. Com John Cage foi parceiro na introdução do conceito importante de silêncio até então negligenciado pelo ensino musical e pelo senso comum.

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